Vivendo na Flórida - Continuação

 
Julho 21, 2009 @ 12:00 am
  por Antonio Crescenti
 
 
 
Por várias vezes amigos e até usuários do VPO me perguntam como e a vida aqui na Flórida, querem saber os costumes, comida, diversão, relacionamento com os americanos e outros detalhes que em suas visitas aos Estados Unidos não conseguem perceber.

Neste artigo eu vou tentar passar um pouquinho da minha experiência do que é estar vivendo na Flórida.

O motivo que me trouxe para a Flórida, eu já tive a oportunidade de comentar na minha introdução. Quando eu saí do Brasil em Junho de 1990, o meu objetivo era ficar em Orlando, mas, a amiga que iria me receber, retornou ao Brasil numa emergência, dois dias antes da minha chegada e com isso não teve como entrar em contato comigo.

Cheguei a Orlando fui para um hotel e comecei a ligar para a minha amiga, que nunca me respondeu. Contudo, como eu tinha outro amigo em Deerfield Beach, tive que mudar meus planos e vir morar aqui onde estou até hoje.

A minha viagem de Orlando para Deerfield Beach foi uma maratona, pois tudo que eu tinha era uma xerox de um mapa da Flórida que ganhei na agência onde comprei a minha passagem, nunca tinha visto um carro automático e o meu inglês era absolutamente nada. O primeiro "mico" foi num posto de gasolina, onde dei ao caixa U$ 20.00 e no tanque coube somente U$ 8.50 e ele não tinha como me dar o troco, no final após muita "tentativa" de discussão ele acabou me devolvendo os U$ 10.00, o quê não foi tão ruim.

O segundo "mico" foi na Turnpike, quando parei para almoçar, estacionei o carro, mas não consegui tirar a chave do contato, por mais que tentasse, era em vão... então o jeito foi continuar a viagem com o rádio bem alto para não ouvir o ronco do meu estômago de tanta fome.

Chegando a Deerfield Beach, fiz meu primeiro almoço na Flórida, em um 7 Eleven, onde comi um pacote de batatinhas fritas com Coca-Cola, foi nesse dia que descobri que gostava tanto de batatinhas fritas.

Dai começaram as boas experiências, a primeira e que eu acabava de vir de Santos onde milhares de motos com aqueles escapamentos abertos fazendo aquele barulho, e ao andar pela Federal Hwy, uma avenida bastante movimentada, eu não escutava nenhuma buzina e muito menos motos barulhentas, fiquei surpreso também, ao ver as motos tomando o mesmo espaço que um carro, não ultrapassando entre os carros, porém quase todos sem capacete.

Como o serviço de ônibus nem sempre atende as nossas necessidades, é imprescindível que se tenha um carro, mas para isso tinha que tirar a "Driver License" ("Carteira de Motorista") então meu amigo se prontificou a me ajudar, e como eu não falava nada em inglês, me deram um livro para estudar em espanhol, mas acontece que eu também não falava espanhol, porém entre os dois foi mais fácil o espanhol.

Passei quase toda a noite estudando e no dia seguinte lá fui eu para fazer o teste. Acho que o meu anjo da guarda estava ao meu lado, pois no teste escrito só podia errar cinco perguntas, eu errei quatro, e em menos de duas horas estava saindo com a minha "Driver License", todo feliz e orgulhoso, pois já sabia falar em espanhol rsrsrsr...

A próxima etapa era conseguir um emprego, e após mais de 20 anos trabalhando em grandes empresas de engenharia no Brasil, fui trabalhar num Dunkin' Donuts como ajudante de cozinha, aí fiquei por algumas semanas até que consegui entrar numa empresa de telefonia e computadores (Macrotel) onde a minha função era montar os computadores que seriam usados em sistemas de "Voice Mail", como os proprietários eram cubanos mais da metade dos funcionários eram hispânicos e com isso o meu espanhol foi melhorando cada dia mais, enquanto que o inglês ia ficando para trás.

Eu trabalhei nessa empresa por mais de sete anos até que ela decretou falência... mas não foi minha culpa...

Quando a minha família chegou algumas semanas depois (julho), já estava quase na hora de matricular os filhos na escola, eu estava apavorado, pois éramos "indocumentados", então arrumei um tradutor e lá fomos para a escola, em poucas horas todos meus três filhos estavam matriculados e ganhando um semestre pela diferença do ano escolar que aqui vai de Agosto a Junho, nenhuma pergunta foi feita sobre o nosso estado legal.

Ao terminar a matrícula perguntei sobre a "Lista de Material" para começar a comprar, pois na minha mente eu ainda tinha a experiência de inicio das aulas no Brasil, foi quando me informaram que todo o material escolar estaria na carteira do estudante no primeiro dia de aula, e que os alunos receberiam uma lista de material e que poderiam comprar no máximo dois ítens que seriam usados nas próprias salas de aula.

O relacionamento com os americanos foi para mim uma experiência muito agradável e gratificante, pois aos poucos fui aprendendo coisas que para eles são absolutamente normais, mas que para nos brasileiros às vezes temos que tomar certos cuidados.

A primeira experiência nesse sentido foi quando fui alugar uma casa, e após acertar os detalhes, a proprietária me entregou as chaves e disse que eu poderia mudar, sem ainda ter assinado um contrato ou mesmo um termo de compromisso, foi quando ouvi pela primeira vez que não era necessário, pois eu tinha concordado com tudo e o contrato seria somente uma formalidade por causa dos impostos que ela teria que declarar. Ou seja, ela estava acreditando na minha palavra e isso era suficiente.

A nossa palavra vale muito mais que nossos atos e isso a gente pode comprovar todos os dias, por exemplo: - quando vamos comprar pão no mercado ao chegar ao caixa eles perguntam quantos tem em cada saco e cobram pelo que você falou sem verificar se está correto.

No primeiro final de ano, a Macrotel ofereceu um "churrasco" para os funcionários num parque junto à praia, foi quando tive a primeira surpresa com os costumes de alimentação dos americanos, eu estava imaginando aqueles espetos com picanha, lingüiça, lombinho de porco e outras coisinhas mais, e quando nos chamaram para o "churrasco" lá estavam àquelas pilhas enormes de Hot Dogs e Hambúrgueres regados com aqueles temperos adocicados e bastante ketchup, a princípio foi decepcionante, porém hoje quando fui ao mercado voltei com uma caixa de 5 quilos de Hambúrguer e outra do mesmo tamanho de Hot Dogs, aos poucos até nós brasileiros acabamos entrando nos costumes americanos.

Para que este artigo não fique ainda maior do que já esta, eu vou deixar os comentários sobre as atrações que existem aqui no sul da Florida, para o próximo.

 


Antonio Crescenti
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