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Ainda sobre o dolar como moeda internacional

 mensagem postada em 10/03/2015 - 09:03:10hs
 
 

"A moeda internacional é o dólar e o EUA são o único país no mundo capaz de criá-la.

Por isso tudo é diferente por lá. Os EUA são capazes de cobrar impostos mais baixos, ter altos gastos públicos com segurança, educação e infra estrutura sem o mesmo risco de quebrar que a Grécia. Eles são capazes de aumentar seu déficit fiscal dependendo apenas de uma canetada do Congresso (embora as vezes até isso seja complicado de conseguir).

A Grécia não pode imprimir nem euros, quanto mais dólares… por isso tem que ter um política fiscal condizente com sua realidade. Assim como todos os outros países do mundo. A China e o Japão não podem criar dólares mas têm uma grande reserva em dólar, por isso, têm um espaço maior mas ainda assim finito.

A economia contemporânea é assim, quem tiver mais dólares, estará melhor. O Brasil tem uma boa reserva e isso justifica em parte porque nos saímos tão bem da Crise dos Subprimes em 2008 em comparação com a Crise Asiática em 97 (de menores proporções).

Para que se entenda bem, hoje, qualquer país pode livremente criar sua própria moeda. O Brasil, se gastar mais do que arrecada, pode criar mais reais para quitar suas dívidas. Isso tende a gerar inflação (a moeda passa a valer menos do que ela mesmo valia antes) e desvalorização cambial (a moeda passa a valer menos em relação ao dólar). Mas ... Nem sempre foi assim.!!!

Padrão-Ouro

De forma com que nenhum Governo interferisse diretamente no valor da moeda, e que ela pudesse refletir de forma fidedigna o valor dos bens reais, durante muito tempo utilizou-se internacionalmente algo conhecido como o Padrão Ouro.

Grosso modo, cada moeda de cada país refletiria o nível de reservas em metais preciosos que este país possuísse. O ouro era a moeda internacional e cada moeda teria uma cotação em relação ao ouro.

Assim, os países que tivessem maior reserva em ouro, teriam uma moeda mais forte. Agora, entenda como a ideia do padrão ouro tinha por trás o alcance de um equilíbrio monetário.

Vamos dar o exemplo de 2 países aleatórios: Inglaterra e França. Digamos que a Inglaterra tivesse reservas em ouro muito maiores que a França. Ora, a libra valeria bem mais que o franco. Isso significaria que a França poderia produzir seus produtos e serviços a custos bem mais baixos que a Inglaterra e poderia exportá-los de forma bem mais competitiva.

Na Inglaterra tudo seria caro já que a libra era forte. Logo, a Inglaterra seria muito menos competitiva. Então, a França passaria a vender mais para a Inglaterra do a Inglaterra pra França.

Com esse superávit, a França agora possuiria bem mais ouro do que antes… e aí então, o franco poderia se valorizar mais do que a libra, a Inglaterra se tornaria mais competitiva e por aí vai… tendendo a um equilíbrio no longo prazo…

Nem o Governo da França e nem o da Inglaterra teriam interferência direta no valor de suas moedas. Este seria o resultado puramente do comércio entre ambos países.

Ou seja, nesse cenário é muito pouco provável que houvesse hiperinflação ou hiper deflação. Também defende o país dos malefícios criados por vícios políticos… ele amarra os braços dos políticos em relação a esta questão monetária. Para mal, mas também para o bem…

A Inglaterra largou o padrão ouro ainda nos anos 30 de forma a estimular a economia através de maiores gastos públicos. Os anos 30, lembrem, foi marcado economicamente como anos de depressão braba, fruto da Crise de 29.

A França por outro lado, manteve o padrão ouro por mais tempo e não se saiu tão bem quanto a Inglaterra…

Resumindo, no pós guerra (46-71) ficou estabelecido um modelo chamado de padrão dólar-ouro, em que todas as moedas teriam uma cotação fixada em dólar, e o dólar, no final de tudo, teria sua cotação fixada em Ouro.

Mas os altos gastos do Governo dos EUA, entre outros com a Guerra do Vietnam, e alguns contratempos com o governo francês – que questionava a hegemonia do dólar – fizeram os EUA abandonarem em 71 o padrão-ouro.

Coincidência ou não, os anos que se seguiram no mundo foram de inflação alta em diversos países, como o Brasil e o próprio EUA.

Voltando ao assunto inicial, nem o ouro, a libra e nem o dólar foram unanimes em se tornarem moedas internacionais. O ouro depende da extração do metal, que não necessariamente é capaz de atender a necessidade de crescimento da base monetária mundial. O dólar e a libra (e o euro) são influenciados pela política monetária desses países, deixando todos os demais reféns dos interesses destes.

É o que temos visto nos últimos anos… o próprio Brasil tem sofrido efeitos da expansão (e contração) da base americana, o dólar, fazendo o real se valorizar e se desvalorizar tão rapidamente gerando incertezas gerais.

Há muito se discute uma alternativa ao dólar. Poderia haver algo forte como o ouro mas sem suas limitações… uma moeda que não fosse criada e nem gerida pelos bancos centrais de nenhum país. Uma moeda puramente internacional, anônima, rápida e eficaz…"

Quem sabe do futuro ?

 


 
 
Assim que você adentra ao celeiro da atração The Barnstormer at Goofys Wiseacre Farm (Mickeys Toontown) observe a reação das galinhas quando o avião passa zunindo.